Jerusalém, o lugar alto - Edição Novembro 2018

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Em resposta, Jesus disse: “Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de assaltantes. Estes lhe tiraram as roupas, espancaram-no e se foram, deixando-o quase morto. Aconteceu estar descendo pela mesma estrada um sacerdote. Quando viu o homem, passou pelo outro lado. E assim também um levita; quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado. Mas um samaritano, estando de viagem, chegou onde se encontrava o homem, quando o viu, teve piedade dele. Aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele” (Lucas 10.30 ao 34). 

Jesus contou essa parábola para um perito na Lei que quis colocá-lo à prova, perguntando-Lhe o que tinha que fazer para herdar a vida eterna. Então, o Senhor perguntou a ele o que está escrito na Lei, pois, sendo o rapaz um perito, deveria saber. E ele respondeu: “Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento, e ame o seu próximo como a si mesmo” (Lucas 10.27). Jesus disse que ele respondera corretamente mas, querendo se justificar, perguntou ao Senhor: Quem é meu próximo? 

Jericó significa lugares altos apodrecidos, que cheiram mal. Vemos que o homem que foi assaltado e muito machucado descia de Jerusalém para Jericó. Jericó representa o lugar baixo e Jerusalém, um lugar alto. Jerusalém, a cidade do grande Rei!

Esse homem descia; vemos depois, que o sacerdote, assim como o levita, também desciam para Jericó. Já o samaritano estando na mesma estrada, a Bíblia não diz que ele subia ou descia mas que ia, seguia. Creio que nós encontramos aqui, uma mensagem muito importante para nossa vida porque o perito conhecia profundamente as Escrituras mas, visivelmente, não conhecia a Deus. 

Muitas pessoas têm vivido situações desconfortáveis e porque não dizer, às vezes, trágicas, como o homem que foi assaltado e ficou lá jogado como um morto, porque estando num lugar alto, decidiu descer. Saiu de Jerusalém e desceu para Jericó e se deparou com problemas, viu a morte, porque é exatamente isso que acontece quando você sai da luz e vai para as trevas, sai da graça e ruma para o pecado. Vejo na descida de Jerusalém para Jericó o declínio, a decadência, a ruína, o atraso, o retrocesso, um desmoronamento da vida espiritual, degradação, uma alteração brusca que provoca decadência. 

O mesmo vemos acontecer com o sacerdote e com o levita que estavam num lugar alto e na graça, mas em função da cegueira, que é o que acontece com muitos, a pessoa vai descendo para o pecado, sem poder parar. Um abismo chama outro abismo (Salmo 42.7). De um pecado vai para outro pecado, de uma escolha errada, para outra e, muitas vezes, mais uma escolha errada para tentar consertar uma outra escolha errada, e parece não dar tempo de parar em função da cegueira espiritual. O sacerdote e o levita viram a necessidade do homem espancado e caído no chão mas viraram as costas, foram para o outro lado, porque o caminho deles era largo mas, a Bíblia diz, que a porta é estreita e o caminho é apertado. Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo é o caminho e são muitos os que entram por ela, como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva a vida e são poucos os que a encontram (Mateus 7.14). 

Esses dois homens eram profundos conhecedores das coisas de Deus mas, ignoraram o que é importante e relevante. Veio, então, o samaritano, que ninguém dava valor, e mostrou que o seu caminho era estreito, pois não foi para outro lado, ele viu a necessidade, não fugiu dela, foi um exemplo de misericórdia, enfaixou as feridas, fez parar o sangramento, derramou vinho e óleo. O vinho significa a mensagem de Jesus, alegria, boas novas! O óleo significa o Espírito Santo! 

Quando Jesus contou essa história, Ele estava deixando bem claro que Jericó era um lugar que cheira mal, de podridão espiritual.  Apenas o samaritano seguia na sua jornada, o restante desciaestava em decadência espiritual. 

Vivemos um tempo de apostasia e esfriamento. Não são poucas as pessoas que têm saído do lugar alto para o lugar baixo. É lamentável ver pessoas que um dia tiveram em Jerusalém, que significa um lugar alto espiritualmente, mas têm declinado, descendo para Jericó, o lugar baixo espiritualmente, que cheira mal. 

Quando Israel entrou na Terra da Promessa, encontrou Jericó fechada, fortemente murada, mas estava dentro da terra prometida; então tinha que ser tomada. Para a nação de Israel, a Promessa foi a terra, algo físico, uma luta física. Para a igreja é o Reino, é espiritual, uma luta espiritual. 

O conselho que Deus deu na guerra contra Jericó foi que não tocassem em nada porque tudo era anátema. A cidade com tudo o que nela existe, será consagrada para a destruição, somente a prostituta Raabe e todos os que estão com ela, na sua casa, serão poupados, pois ela escondeu os espiões que enviamos. Mas fiquem longe das coisas consagradas, não se apossem de nenhuma delas, para que não sejam destruídos; do contrário, trarão destruição e desgraça ao acampamento de Israel (Josué 6.17 e 18). 

Deus deu Jericó, ela foi conquistada, queimada como o Senhor havia prometido; mas, Acã – que significa tribulação, turbulência, oscilação – passou por cima da ordem de Deus, apossando-se daquilo que a Bíblia chama de anátema; levou para a casa dele e escondeu-o debaixo da tenda. Certamente acreditou que um punhadinho de terra poderia esconder-lhe o pecado. A Bíblia diz que Acã cobiçou e roubou. A atitude de Acã afetou todo Israel, toda sua família e a ele mesmo. Egoísta, pensou somente nele! Trinta e seis homens do exército de Israel morreram. Israel após vencer inimigos poderosos, em função daquela atitude de desobediência, perdeu uma guerra quase impossível de ser perdida para uma “vila” chamada Ai. 

A cobiça de Acã custou-lhe muito caro. O preço foi altíssimo! Ele não acreditava, verdadeiramente, na Palavra de Deus, porque o pano de fundo para qualquer tipo de pecado é a falta de fé naquilo que Deus fala. Os olhos de Acã só enxergaram o momento e não as consequências, achou que o mal não é tão ruim. Muitos definem a vida por um momento e acreditam mesmo que vão ter que conviver apenas com aquela escolha, com aquela decisão mas, a verdade é que, consequências virão e você terá que lidar e conviver com elas. 

A cobiça de Acã o fez descer e terminar no vale de Acor, que é o vale da desgraça. Acor significa confusão, infelicidade, aflição, desgraça. Deus disse que não poderia ser com Israel enquanto não fosse retirado, absolutamente, tudo que Ele disse ser anátema, maldição. O Senhor disse: Não poderei ser com vocês, não estarei mais com vocês. Vocês não conseguirão resistir aos seus inimigos enquanto não as retirarem. O Senhor disse que a aliança tinha sido violada e que uma loucura fora cometida em Israel. Meditar em Josué 7.1 ao 26. Josué disse que Acã causara desgraça e, por isso, ele sofreria desgraça.

Muitas vezes vemos este triste quadro: pessoas saindo de um lugar alto rumando para um lugar baixo, apossando-se de coisas malditas, que são escolhas, decisões, que levam à ruina; não apenas da própria pessoa, mas também das que estão ao redor dela e até do próprio Reino de Deus, porque escandalizam. Lembremo-nos que estamos aqui como embaixadores e devemos proceder de forma a influenciar como luz e sal, como somos orientados pela Palavra; afinal, se o mundo está mais escuro é porque a luz da igreja está fraca e se o mundo está estragado é porque o sal – que somos nós – perdeu o sabor. O sal serve para preservar, mas se ele se tornar insípido deve ser jogado fora e pisado.

Fomos chamados para um lugar alto e nele devemos permanecer para fazer a diferença. 

Deus nos chama para uma volta a Jerusalém, o lugar alto, para nos desfazermos das coisas que são abomináveis aos olhos d’Ele. O povo de Deus é poderoso! A Igreja tem o poder sobre as trevas e precisamos nos posicionar como autoridade que somos, fazer uso desta autoridade e poder, para que o Nome do Senhor seja glorificado. O nosso lugar é no lugar alto. 

Conte com as minhas orações sempre. 

Cléo Ribeiro Rossafa

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