Acostumaram-se... - Edição Agosto 2018

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Partiram eles do monte Hor, pelo caminho do mar Vermelho, para contornarem a terra de Edom, mas o povo ficou impaciente no caminho e falou contra Deus e contra Moisés, dizendo: “Por que vocês nos tiraram do Egito, para morrermos no deserto? Não há pão! Não há água! 

E nós detestamos essa comida miserável!”  (Números 21.4 e 5).

Eu fico imaginando o quanto esse povo ficou animado a primeira vez que viu o maná! O maná era o milagre diário, o pão de cada dia, o pão do céu! Deus supria diariamente, enviando, literalmente, o maná do céu. Entretanto, depois de um tempo, acostumaram-se com o maná, com a bênção, com o milagre, e não demorou para falarem mal daquilo que um dia os levou a um estado de alegria e, com certeza, de comemoração. 

Essa conduta do povo prova que um milagre sem mudança interna faz a pessoa voltar a ter atitudes que levam ao fracasso, pois quando se acostumou com o maná não o viu mais como “bênção”, mas sim, como “comida miserável”. É insano, mas o povo chamou o milagre de “comida miserável”. Vimos, portanto, que maturidade espiritual é mais importante que o milagre. Quando há maturidade espiritual somos os mesmos, independentemente das circunstâncias. Deus trabalha mais para nos mudar do que para resolver os problemas que nos cercam, inclusive Ele usa muitas vezes as circunstâncias para fazer a obra em nós. É muito importante nos atentarmos para isto: podemos nos acostumar a falar algo que nem sabemos se acreditamos ou não. Muitas vezes pergunto às lideranças e as pessoas em geral se elas acreditam mesmo no que leem e ouvem; se elas acreditam no que elas pregam e se acreditam que o poder de Deus está disponível para nós. Quantas vezes vi pessoas que expressaram gratidão, testemunharem as maravilhas do Senhor na vida delas e, passado um tempo, lamentavelmente algumas se esqueceram ou simplesmente acostumaram-se com aquela nova e abençoada vida. 

Livro de Números 21versículos 6 e 7, fala que o Senhor permitiu que serpentes venenosas entrassem no acampamento, picassem o povo e muitos morreram. Eles estavam tão acostumados com aquele cuidado, com aquele cerco de proteção que, cegos, esqueceram que estavam num deserto rodeado de perigos. As serpentes sempre estiveram lá, mas elas não tinham permissão para entrar. O povo foi até Moisés, reconheceu que havia pecado contra o Senhor e contra ele e pediu que orasse para que aquilo cessasse. Ele orou, Deus deu direção e vitória.

Uma pessoa pode estar vivendo uma vida tão diferente daquela que ela sempre viveu e esquecer de onde ela foi tirada, do tempo das ervas amargas. Diz a Bíblia que, A alma farta pisa o favo de mel, mas à alma faminta todo o amargo é doce (Provérbios 27.7). Ilustro com um provérbio popular muito conhecido: “Barriga cheia... goiaba tem bicho”. Nós não precisamos de Deus uma única vez ou para resolver apenas um problema, porque mesmo que a gente não saiba ou não tenha um problema aparente, estamos sempre em perigo. O perigo ronda e está em toda a parte. As serpentes venenosas estão aí. A maioria dos livramentos nós nunca ficamos nem ficaremos sabendo. Deus está nos guardando e nos livrando o tempo todo. As serpentes peçonhentas, e tudo que representa essas serpentes venenosas estão aí, mesmo que não estejamos vendo. Eles não viam as serpentes, mas elas estavam lá e a murmuração, a ingratidão, a infidelidade fizeram com que Deus permitisse que vivessem coisas que poderiam ter evitado com comportamento diferente, maduro, grato e fiel. 

A Palavra de Deus nos ensina a viver nossa vida e, Fazer tudo sem queixas nem discussões (Filipenses 2.14). Diz também em Provérbios 13.3, que,Quem guarda sua boca, guarda sua vida, mas quem fala demais acaba se arruinando. 

Fidelidade a Deus, ao propósito, ao chamado, à igreja, à liderança, ao cônjuge, ao lugar de trabalho, é uma direção bíblica. Sermos gratos, também. Aquele povo estava cuspindo no prato que havia comido, porque havia se acostumado. Se não tomarmos cuidado podemos cair no mesmo buraco. Quanta cegueira! Por isso, o mesmo povo ficou quarenta anos no deserto! A murmuração, as críticas, falta de autorresponsabilidade, a ingratidão e a infidelidade mantiveram todos até a morte com a frustração de nunca chegarem ao destino. Com exceção de Josué e Calebe, os que saíram do Egito, morreram. 

São muitos os que não prestam atenção no que pensam, no que falam e depois reclamam dos resultados. A coisa mais fácil de fazer no mundo é reclamar. Nós precisamos parar de fazer o que é fácil e o que todo mundo faz muito bem. O mundo só reclama e é por isso que tem tanta gente fraca: porque só faz o que é fácil. Deus nos deu uma boca para glorificá-l’O. Se você quer paz, você preciso dar paz; se quer alívio, precisa dar alívio. Quem dá alívio aos outros, alívio receberá (Provérbios 11.25). 

As nossas palavras podem trazer bênçãos, vitórias, vida, ressuscitar o vale de ossos secos, mas também podem trazer morte, separação, mágoas, diferentes tipos de dores, desemprego, desvio de propósito, alteração do destino. 

Nós somos totalmente responsáveis pelas palavras que saem da nossa boca. A Bíblia diz que atraímos aquilo que falamos. Temos que aprender com Jesus! A Bíblia diz, que o Senhor Jesus não abriu a boca na aflição. Nós só vencemos o mal com o bem, e não basta parar de falar negativo, nós precisamos trazer à existência o que não existe. 

Palavras são sementes que germinam e é preciso lembrar que todos nós colhemos o que plantamos. 

Nós precisamos falar a Palavra de Deus, pois ela é o que há de mais forte quando a declaramos, porque a palavra não volta vazia. A Palavra de Deus é o que há de mais valioso no mundo. Podemos sarar nosso destino sarando a nossa boca. As palavras revelam o que pensamos no coração e na nossa boca está o poder da vida e da morte; por isso, afirmo que usar bem a boca é questão de sobrevivência. Não podemos nos distrair! O diabo usa das distrações para nos roubar, tanto que a Bíblia nos manda vigiar e orar; Israel não vigiou, por isso fracassou.  Tem muita gente perdendo tempo com coisas infrutíferas e irrelevantes, matando o destino com decisões estúpidas e... tempo é vida! Quero que você medite profundamente em Isaías 58. É um texto longo, mas que precisa ser lido constantemente e analisado. 

O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, por em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? 

Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, não recusar ajuda ao próximo? 

Aí sim, a sua luz irromperá como alvorada, e prontamente surgirá sua cura; a sua retidão irá adiante de você, e a glória do Senhor estará na sua retaguarda. Aí sim, você clamará ao Senhor, e Ele responderá; você gritará por socorro e ele dirá: Aqui estou. Se você eliminar do seu meio o jugo opressor, o dedo acusador e a falsidade do falar; e se com renúncia própria você beneficiar os famintos e satisfizer o anseio dos aflitos, então sua luz despontará nas trevas, e a sua noite será como o meio dia. 

O Senhor o guiará constantemente, satisfará os seus desejos numa terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos. 

Você será como um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas nunca faltam. (Isaías 58.6 a 11). Aqui você observa que ser um cristão está relacionado a uma mudança profunda no interior, mudança interna! O velho estilo de vida não cabe mais. Uma conduta irrepreensível, sem falsidade, sem dedo acusador. Ao meditar em Isaías 58, do versículo um ao catorze, encontramos a direção para uma conduta que realmente agrada a Deus, o que é ser um cristão e, por isso, reafirmo a necessidade de, tempos em tempos, passar por essa forte passagem bíblica. É muito fácil acostumar-se com a vida cristã, falar e fazer coisas. É muito fácil cair no erro de Israel. A vida é curta, como está no Salmo 144.4: O homem é como um sopro, seus dias são como uma sombra passageira para jogarmos fora com escolhas imaturas e tolas.

Precisamos remir o tempo, resgatá-lo e usá-lo com sabedoria para coisas que realmente são importantes. Viver com propósito e não à base da vontade própria, mesmo porque, o que derrubou Lúcifer foi a vontade própria. 

Cuidado para não ser enganado pelo seu próprio coração. Muitas vezes ouvi pessoas dizerem que queriam tanto uma coisa e colocaram Deus nela. Concluíram que era Deus, quando não era! Foram iludidos e enganados com os próprios sentimentos! Alteraram e adoentaram o próprio destino com escolhas irreversíveis, em alguns casos! Num momento de muita dor, alguém me disse: “O meu coração me enganou”. O coração é mais enganoso do que qualquer outra coisa e a sua doença é incurável (Jeremias 17.9).  Também, Obadias 1.3 diz que, A soberba do teu coração te enganou. 

Nossas decisões precisam estar alinhadas com a Palavra de Deus. Você já ouviu que Deus não é de confusão; que Ele não é de coisas bagunçadas. Ser crente é um estilo de vida totalmente diferente de tudo que há no mundo. Nós nos parecemos com Deus e não com o mundo. 

Cuidado para não se acostumar com o milagre, para não ser enganado pelo seu próprio coração. Não desperdice a sua vida com experiências volúveis embasadas nas suas emoções. Viva de forma profunda, desenvolva um relacionamento com Deus, busque acima de tudo maturidade espiritual e, então, você jamais se enganará, porque a voz de Deus é diferente da voz do nosso coração. 

Conte com as minhas orações sempre. 

Cléo Ribeiro Rossafa

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